A inveja, o ciúme e o nada caminham juntos — às vezes silenciosos, às vezes gritantes — mas sempre íntimos demais para serem ignorados.
A inveja nasce no olhar que se compara. Não é sobre o outro, nunca foi. É sobre aquilo que na pessoa se sente menor, insuficiente, esquecido. É o desejo disfarçado de ressentimento. Não quer apenas o que o outro tem… quer ser o outro por um instante, para não ter que encarar o vazio que insiste em lhe habitar.
O ciúme, por sua vez, é o medo travestido de amor. Ele aperta, vigia, sufoca. Não porque ama demais — mas porque teme perder aquilo que acredita nunca ter sido, de fato, seu. O ciúme revela uma ferida antiga: a insegurança de não ser suficiente para permanecer no desejo do outro.
E então vem o nada.
O nada não grita. Ele não acusa, não disputa. Ele apenas é. Um espaço silencioso que, quando encarado, assusta mais do que qualquer perda. Porque ali não há o outro para culpar. Não há comparação, nem disputa, nem garantia. Só existe a pergunta crua: quem sou eu quando não estou tentando ser mais do que alguém ou não perder alguém?
Talvez a inveja e o ciúme sejam tentativas desesperadas de fugir desse encontro.
Mas é no nada que algo verdadeiro pode nascer. Porque só quando tudo aquilo que nos distrai se dissolve — o outro, o olhar do outro, o medo do outro — é que resta a possibilidade de existir por si. Sem disputa. Sem posse. Sem medida. E isso, paradoxalmente, é o que mais assusta.
E o que mais liberta.

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