Mas não é algo que eu faça de propósito. Há coisas que simplesmente acontecem — como o mar quando decide balançar mais forte na beira da areia. Eu só existo ali, no movimento do meu corpo, no silêncio que antecede o toque, no olhar que demora um segundo a mais do que deveria.
E então algo em mim te chama.
Não digo palavra alguma. Ainda assim, você percebe. Porque o desejo não fala alto; ele sussurra dentro da pele. Ele passa devagar pelos gestos, pelo jeito de inclinar o rosto, pelo mistério de quem sabe que é olhado. Nessa onda — que é mais instinto do que intenção — eu caminho perto de você. E sinto o ar mudar, como se o mundo tivesse diminuído para caber apenas no espaço entre dois corpos.
Há uma espécie de vertigem nisso. Você me olha como quem tenta entender, mas não entende. Porque certas coisas não se explicam. Elas apenas acontecem — como um arrepio que começa sem aviso e percorre o corpo inteiro.
E é aí que percebo:sem dizer nada, sem fazer quase nada,
nessa onda lenta e secreta do desejo…
eu já te deixei um pouco maluco.

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