Para todos que estão sofrendo hoje porque alguém que você amava se foi de sua vida - quer essa pessoa tenha falecido ou apenas tenha saído de sua vida - lembre-se: sua vida é melhor por conhecê-la, mesmo que ela não possa estar mais com você.
A dor pela perda de alguém que amamos, seja pela morte irrevogável ou pela separação que nos condena à ausência, revela a profundidade do vínculo que um dia ousamos sustentar. Não se sofre por aquilo que foi raso, mas por aquilo que tocou as camadas mais silenciosas da alma. A perda não inaugura o sofrimento; ela apenas o torna audível.
Ainda que essa pessoa não habite mais o presente — que sua voz não ecoe nos corredores do cotidiano, que sua imagem tenha se recolhido às sombras da memória —, o encontro vivido permanece inscrito em nós como uma marca indelével. Há amores que, mesmo extintos no mundo, persistem como espectros íntimos: não nos assombram por crueldade, mas por fidelidade ao que fomos quando amamos.
A ausência, nesse sentido, não é vazio, mas presença deslocada. Ela se manifesta nos gestos interrompidos, nos pensamentos que retornam sem serem convocados, nas lembranças que insistem em emergir quando o silêncio se alonga. Como em Poe, o passado não descansa; ele vela. E aquilo que foi profundamente sentido recusa-se a desaparecer sem deixar vestígios.
A vida, portanto, não empobrece por perder alguém. Ela se transforma — às vezes de maneira sombria, às vezes dolorosamente bela — pelo simples fato de ter amado. Amar é aceitar que algo de nós permanecerá para sempre ligado ao que se foi. E talvez seja esse o pacto mais trágico e mais humano: viver carregando, não a ausência em si, mas a eternidade silenciosa do que não pode mais voltar.

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