Existem dois objetivos na vida: o primeiro, o de obter o que desejamos; o segundo, o de desfrutá-lo. Apenas os homens mais sábios realizam o segundo.



 "Existem dois objetivos na vida: o primeiro, o de obter o que desejamos; o segundo, o de desfrutá-lo. Apenas os mais sábios realizam o segundo."
 A frase, atribuída a Logan Pearsall Smith, parece simples — mas carrega uma espécie de segredo silencioso sobre o modo como atravessamos a existência.

Passamos grande parte da vida desejando. Desejamos o amor, o reconhecimento, a paz, a chegada de algo que imaginamos que finalmente nos completará.  É uma falta permanente. Vivemos como quem caminha em direção a uma promessa. E quando, enfim, alcançamos aquilo que tanto pedimos ao tempo, algo curioso acontece: muitas vezes já estamos olhando para outro horizonte.

Talvez seja porque aprender a conquistar seja mais fácil do que aprender a permanecer.

Se pensarmos com a delicadeza de Clarice Lispector, perceberemos que o verdadeiro acontecimento da vida não está apenas no instante da conquista, mas na capacidade de sentir o que nos atravessa quando algo finalmente chega até nós. Clarice nos ensinou que viver não é simplesmente acumular acontecimentos — é deixar que eles nos toquem. Que Eles nos atravessem.

Desfrutar exige um tipo raro de coragem: a coragem de parar. De respirar dentro do momento. De reconhecer que aquilo que desejamos já está, de alguma forma, acontecendo.

Porque a vida não é apenas feita de grandes chegadas. Ela também é feita desses instantes quase invisíveis em que percebemos, com uma certa surpresa silenciosa, que aquilo que buscávamos já repousa em nossas mãos.

E então entendemos algo que talvez seja uma forma de sabedoria: não basta alcançar a vida.

É preciso habitá-la.

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