Há vida depois da ressaca? (Yes, Baby, There's so much)




Quantas garrafas são necessárias para me derrubar? Várias.

É curioso como algo que te deixa meio zonzo, que embaralha os critérios e te empurra a beijar, abraçar ou desejar as pessoas mais improváveis — e que ainda te presenteia com uma ressaca impiedosa — se tornou quase um ritual obrigatório de convivência. Socializar, ao que parece, exige um brinde. Ou vários.

Não que a sobriedade seja incapaz de sustentar encontros. Ela é. Mas há uma espécie de pacto silencioso, uma convenção não assinada que dita: “vamos tomar alguma coisa”. E ai de quem ousa recusar — quase um desvio de etiqueta, uma pequena heresia social.

Então, seguimos. Não exatamente por desejo, mas por pertencimento. E, entre um gole e outro, quase como uma prece pagã, invoco o Deus da Cevada: que ele seja generoso — ou, ao menos, misericordioso.

O garçom — sempre com aquele semblante de quem já desistiu de gostar do próprio trabalho — chega trazendo a primeira cerveja. Gelada. Perfeita. Um milagre que dura segundos, até que o calor do ambiente e da conversa a transforme em algo comum.

Penso que talvez não haja como escapar.

Então, brindemos.

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