Como o sabor da noite é interessante…
Há algo nela que não se explica, apenas se experimenta. Eu podia sentir o cheiro da escuridão me abraçando, densa e íntima, como se fosse feita sob medida para aquele instante. Caminhava devagar, saboreando cada passo, como quem não quer chegar a lugar algum — porque o próprio percurso já era destino.
A noite não me apressava. Pelo contrário, ela me convidava a permanecer. Havia um silêncio vivo, pulsando entre os sons distantes, e uma espécie de cumplicidade invisível entre mim e tudo aquilo que não se via. Era quase como se a escuridão não fosse ausência, mas presença — uma presença que acolhe, que esconde, que permite existir sem ser totalmente revelado.
E naquele caminhar, tão simples e tão cheio, percebi que algumas coisas só fazem sentido quando não são iluminadas demais. A noite, com seu gosto estranho e familiar, me ensinava isso: há beleza no que não se mostra por completo.

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