Bem-Vindo

Análise da Dados de Entrevista com pedagogos



Mediante os desafios pelos quais a Educação passa no momento contemporâneo, emerge a necessidade de se aprofundar ainda mais a relação teoria e prática. Existe uma tensão marcante nesse binômio cujo problema autores hão apontado a fim de erradicá-lo ou, pelo menos, diminuí-lo.
Surge, então, esse trabalho que tem como objetivo articular esse dinâmica binominal e desvelar para os que estão a cursar a Graduação a realidade da Educação; o que acontece no ambiente escolar a fim de estarem melhor preparados para atuarem no Ambiente Educacional e, por conseguinte, levantar os defeitos e tentar saná-los.
Esse labor acadêmico foi dividido em duas partes: primeiramente, a Pesquisa teórica e, posteriormente, a entrevista a profissionais que atuam na Educação. Essas partes se subdividem em um processo mono direcional em que, em primeiro lugar, trataremos da Metodologia embasadora  seguida pelas análises de dados quantitativos e qualitativos, ao fim, pelas considerações relevantes e pertinentes.
Foram Entrevistados 100 pedagogos atuantes na região de Juiz de Fora - Minas Gerais.

2.    ANÁLISE DOS DADOS E A SUA RELAÇÃO COM O SUPORTE TEÓRICO ESTUDADO

Ao examinarmos os dados colhidos pelo corpo discente, podemos perceber que, em relação à época de conclusão de graduação dos entrevistados, 72% obtiveram seus títulos antes de 2006 enquanto apenas 28% concluíram após esta data.
Temos que 14, 29% exercem a profissão de 1 a 5 anos; 28, 57% atuam de 5 a 10 anos e 57, 14% trabalham há mais de 10 anos. Quando unimos esses dois primeiros elementos de observação, nos infere que sejam a maior parte dos profissionais de idade adulta madura (acima de 30 anos).
Em relação às várias atividades possíveis de serem exercidas pelos profissionais, entendemos que os mesmos não restringem suas atividades à docência exclusivamente, embora seja ainda a atividade mais exercida pelos mesmos (42,85%); muitos trabalham como coordenador pedagógico (14,28%), diretor (14,28%) entre outros afazeres (28,57%). Há um predomínio de várias ocupações de um mesmo profissional.
A maior parte dos Pedagogos atuam na Área Municipal (57,14%) por ser uma área que precisa prioritariamente deles, uma vez que é dever do município promover e supervisionar a Educação Infantil (EI) e o Ensino Fundamental nos anos iniciais (EFai - 1° ao 5°anos). A rede particular circunda a parte de Pedagogos que não estão na rede municipal (28,57%), enquanto alguns (28, 57%) dividem seus horários em labores na area Federal e Estadual simultaneamente  Nenhum de nossos entrevistados exclusivamente atua na Rede Estadual ou Federal de Ensino.
Sobre a Formação continuada, houve predomínio de Cursos Capacitantes (40%) cujo domínio abraçava cursos de extensão  Em segundo lugar, os profissionais buscavam capacitação em Seminários e Congressos (29%); em terceiro, em Oficinas oferecidas pela rede municipal (16%); em quarto, em Grupos de estudos (10%) e apenas poucos (5%) procuravam projetos para aperfeiçoar suas práticas pedagógicas. Todos os respondentes afirmaram que as atividades mencionadas “acrescentaram muito à formação.”.
Um dado positivo sobre a relação profissional dos pares dos intrevistados é que 85, 71% possuem relacionamentos profissionais muito bons. Apenas 14, 28% expressaram que seus relacionamentos são regulares com pouca comunicação. Felizmente, não houve dados que apontassem relações inexistentes ou ruins/tensas. Sobre o relacionamento interpessoal, 57,14% possuíam um relacionamento muito bom com trocas profissionais efetivas; 28, 57% mantinham relacionamentos muito bons mas restritos à relação profissional; e apenas 14, 29% admitiram ter uma relação interpessoal regular com baixo grau de comunicação. Novamente não foram encontrados dados de relacionamento inexistentes, ruins ou tensos.
A maior parte (70%) avalia que ser pedagogo implica em ser dinâmico e ativo, organizador e articulador de outros profissionais e de conhecimento. 20% vê o profissional formado em Pedagogia como um articulador que ainda se baseia no bom senso e intuição próprias. Apenas 5% creem que o pedagogo ainda é um profissional carente de embasamento teórico e outros 5% que não é autônomo e vem se tornando mais submisso ao sistema.
Todos os entrevistados responderam a décima segunda questão apontando para uma tentativa de resolução da problemática teoria-prática.

3.    CARACTERIZAÇÃO DO SUJEITOS PESQUISADOS

A pesquisa reafirma dados de pesquisadores como Najla Passos (2000), os quais apontam frequentemente que o curso de Pedagogia tende a ser procurado pelo sexo feminino configurando 9 dos nossos 10 entrevistados  e que a maior parte de seus atuantes é formada no antigo Currículo (conhecido popularmente de Currículo 3+1).
Os educadores docentes têm geralmente a dupla formação em Magistério de Ensino Médio e antigo Normal Superior ou Pedagogia, o que nos faz inferir que sejam profissionais que aspiram, há muito, pelo trabalho na área de Educação.
Muito desses profissionais têm mais de um emprego na área, sendo que alguns lecionam em mais de uma escola (muitas vezes, em diferentes Redes de Ensino) e outros têm várias ocupações na mesma Rede (são docente em um turno, são supervisores no contraturno, professores eventuais, etc.).
A partir deste dado, nos são reveladas algumas possibilidades: primeira, que a Pedagogia vista apenas como formação de professores já não é mais verdade absoluta; segunda, outras áreas de atuação vêm se tornando o foco e o objetivo desses profissionais; e terceira, que muito desses profissionais possuem mais de um emprego para reforçar o orçamento por causas dos baixos salários.

4.    O QUE OS PEDAGOGOS RELATAM SOBRE SUA PROFISSÃO

Os relatos têm as mais variadas semânticas em relação à profissão, todavia todos creem que a Formação continuada é o principal instrumento tanto para desenvolver, criar e reciclar teorias e conceitos quanto para otimizar a prática pedagógica, resolver conflitos e criar novas técnicas de ensino-apredizagem.
O apoio financeiro e profissional são vistos de forma indissociável por parte dos educadores, o que nos leva a concordar com autora e educadora Melo (1993) a qual aponta que
“a formação compõe com a carreira e a jornada de trabalho, que por sua vez devem estar vinculadas à remuneração, elementos indispensáveis à formulação e à implementação de uma política de valorização profissional que contribua tanto para o resgate das competências profissionais dos educadores, como para a (re)construção da escola pública de qualidade.”

Eles investem em várias formas de aperfeiçoamento sendo que os três principais meios de capacitação requeridos pelos pofissionais são os cursos, seminários/congressos e oficinas. Eles relatam que esses são de mais fácil acesso, sendo os cursos de extensão e as oficinas os que mais possibilitam uma flexibilidade de horário e maior aproveitamento, pois o contato com outros profissionais é mais concreto e significativo. Os pedagogos que possuem uma maior disponabilidade de tempo participam de grupos de estudos ou projetos interdisciplinares.  

Há, sem dúvidas, a obrigação de mencionarmos que a procura maior por capacitação é por parte do profissional (100%) – não havia essa questão no questionário – seguida pela orientação para capacitação provindas das escolas e redes de ensino.
Nesse ponto há um conflito de opiniões, enquanto alguns lamentam que muito desses cursos só são orientados pelas intituições educacionais ou pela rede quando há um problema que acaba “saindo das paredes da sala de aula e cai na mesa do Coordenador [pedagógico] ou na Secretárioa [de Educação] ”; outros afirmam que a rede vem incentivando à aderência aos cursos de forma preventiva a possíveis problemas e para otimização dos educadores.
Deve-se enfatizar que todos, embora de opiniões diferentes, afirmam veementemente que essas formas de aprimoramento profissional acrescentam muito à formação.
Os Pedagogos, como fora mencionado no capítulo sobre dados e no capítulo anterior, acreditam que um dos fatores para a sua atuação ser otimizada é a boa relação com seus pares de profissão. Os dois maiores problemas que dificultam essa boa conduta são a falta de comunicação e o desvio de função.
 A jactância de profissionais mais antigos no sistema causa, frequentemente, conflitos por disputas ocultas ou deliberadas contra profissionais novatos. A rivalidade está em quem sabe mais sobre esse ou aquele assunto. Já o desvio de função está ligada ora à infrequência de alguns profissionais por serem contratados ou eventuais, ora por não existirem nem contratados nem efetivos para fazerem determinado trabalho. Daí, o aumento de desvios de função acarreta estresse, indignação e conflitos.
Embora essa problemática, os professores, coordenadores, vice-diretores entre outros profssionais da Educação desaguam sua fé que o bom pedagogo deva ser “ um profissional dinâmico e atuante que organiza e articula profissionais e saberes distintos” para que se possa concluir sua tarefa na Educação com bom êxito.

5.    OPINIÃO DOS PEDAGOGOS ACERCA DA FORMAÇÃO INICIAL

Ao relembrarem de sua própria trajetória pessoal, os pedagogos fizeram vários apontamentos pertinentes a que se deve focar o curso, a cerda da base epistemólogica que o curso proporciona (ou deveria proporcionar) e como o relacionamento tanto com graduandos quanto com os professores são importantes para aqueles que desejam permanecer na área, principalmente, da Escola.
Comecemos pela última informação: a relação interpessoal dos graduandos e seus professores. Os pedagogos afirmam que ter uma boa relação com outros graduando e com seus professores é de suma importância, pois serão esses com quem o profissional trabalhará nas diferentes esferas educacionais. Nas palavras de um diretor, “o colega de hoje pode ser o chefe de amanhã.”. Uma professora, que infelizmente não possuia um bom relacionamento com sua turma, abre seu coração ao relatar que
“por não ter me aproximado da minha turma por ser muito instrospectiva, perdi muitas oportunidades de emprego e estágio. Meus colegas de sala sempre arranjaram estágios em locais legais*, e sempre tinha uma vaguinha e ninguém me chamava. Hoje trabalho na SE**, e uma das minhas professoras trabalha comigo. Às vezes, têm apresentações e ela não me chama para apresentar porque na cabeça dela, ainda sou a ‘quetinha’ demais para falar”.
*Leia-se: bem remunerados
**Secretária de Educação

Aqui fica frisado que o individualismo excessivo e a falta de inteligência emocional são elementos desnecessários, e que podem e devem ser substituídos pelo trabalhar em conjunto. O pedagogo deve trazer em si a compreensão que sua área de atuação é diversa, portanto empatia e flexibilidade de articulação são atributos indispensáveis; seus objetos de trabalho são o saber e o próprio ser humano, portanto a forma de se atuar com elementos mutáveis deve ser baseado na coerência, no respeito e na liberdade de pensamento.
Muitos profissionais afirmam que o principal problema é quando eles vão para a sala de aula tanto no estágio quanto no trabalho após a graduação, pois parece que colocar em prática as teorias de sala de graduação não é ofício fácil. Leiamos o que a professora Camila (nome fictício - nf) indica:

“Sugiro que o curso de pedagogia seja voltado mais para prática, de uma forma objetiva considerando-se a grande problemática que encontramos em nossas escolas. A Pedagogia precisa preparar seus alunos para atuarem em escolas onde a diversidade e cultura são bastante diversificadas.” (sic) [grifo nosso]


A professora Helena (nf) segue a mesma direção:

“Acredito que o curso de formação deva articular melhor a teoria e [a] prática, para que os problemas surgidos na relação aluno-professor seja[m] eficaz[es] e reflita[m] na aprendizagem do aluno. Teoria e prática andam bem distantes.” (sic) [grifo nosso - correção nossa]

Complexa é a trama que nos oferecem os dados trazidos neste estudo, por vermos que, muitas vezes, a relação desses sejam indissociáveis uns aos outros carecendo assim de um intervenção total e integral

REFERÊNCIAS

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à Filosofia. Segunda Edição. São Paulo – SP: Ed. Moderna, 1993.

BARRETO, Elba Siqueira de Sá; GATTI, Bernadete Angelina. Professores do Brasil: impasses e desafios. Brasília - DF: ED. UNESCO, 2009.

CHARLOT, Bernad. A pesquisa educacional entre conhecimentos, políticas e práticas: especificidades e desafios de uma área de saber. Universidade Paris 8, França e Organização da Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) – Brasil.

FLEURI, Reinaldo Matias. Intercultura e educação. Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação. 2003

MELO, Maria Teresa Leitão de. Programas Oficiais para Formação
dos Professores da Educação Básica. Revista Educação & Sociedade, ano XX, nº 68, Dezembro/99.

Passos, Najla. Mulheres são maioria na educação infantil e minoria no ensino superior. 2000. Disponível em: http://www.adur-rj.org.br/5com/pop/mulheres_maioria_ed_infantil_minoria_ed_superior.htm . Acesso em: 22 de dezembro de 2012

SAVIANNI, Dermeval. O pensamento pedagógico brasileiro: da aspiração à ciência à ciência sob suspeição.

SILVA, Fabiana dos Santos Franco da. A identidade do pedagogo e as novas diretrizes curriculares de pedagogia.

{Thierrie Magno} Designed by Templateism.com Copyright © 2014

Imagens de modelo por lobaaaato. Tecnologia do Blogger.